ONU pede mudanças para evitar escassez de água no mundo

Por OpenSante

 

A demanda pelos suprimentos de água no mundo é tão intensa que será necessária uma mudança radical na forma como ela é usada para evitar a escassez, diz um estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado hoje (12). A 4ª edição do Relatório de Desenvolvimento Mundial da Água, intitulado Gerenciando a Água sob Incerteza e Risco, foi lançado durante o 6º Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França.
De acordo com a pesquisa, aumentou a demanda por água para irrigação de cultivos de alimentos, para produção de energia elétrica e para fins sanitários. O documento ressalta ainda que as mudanças climáticas estão reduzindo os suprimentos ao alterar os padrões de chuvas, provocando secas mais prolongadas e o derretimento de geleiras.
O relatório aponta ainda que a Ásia tem cerca de 60% da população mundial, mas conta com apenas um terço da água potável da Terra. O Brasil produz aproximadamente 12% da água doce superficial do planeta e, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o país dispõe de 18% de toda água doce superficial da Terra.
No relatório, são descritas as principais mudanças, incertezas e ameaças que ocorrem no mundo e suas ligações com os recursos hídricos. A publicação também indica as tendências relacionadas ao abastecimento de água, ao uso, à gestão e aos financiamentos.
De acordo com Programa Mundial para o Desenvolvimento da Água, vinculado às Nações Unidas, o objetivo do estudo é buscar alternativas para que todos se envolvam na busca pela melhoria da qualidade e aceitação das decisões sobre o tema.
Com informações da Agência Brasil

Meta de acesso à água potável no mundo é batida antes do prazo

Por Ambiental Sustentável

 

O acesso a água potável é garantido a 6,1 bilhões de pessoas, o que equivale 89% da população mundial, informa a ONU em relatório divulgado nesta terça-feira. Sendo assim, o mundo conseguiu superar em 1% a meta dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) e cinco anos antes do previsto. Os dados são referentes a 2010 e o prazo estipulado para as ODMs é 2015. Em relação ao saneamento básico, no entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido: 2,5 bilhões ainda não têm acesso à rede de esgoto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) monitoraram as condições de abastecimento de água e de saneamento entre 1990 e 2010. Neste período, mais de 2 bilhões de pessoas ganharam acesso seguro à água potável. A pesquisa usou como base pesquisas domiciliares e censos.

O relatório, porém, não mede a qualidade da água distribuída nem se a exploração da fonte é sustentável. Apenas considera como água segura aquela que está protegida de contaminação externa. Por isto, o documento chamado “Progress on drinking water and sanitation” (progresso em água potável e saneamento) ressalva que o número de pessoas usando água seguro deve estar superestimado.

Chama a atenção o fato de que quase a metade dos 2 bilhões que melhoraram seu acesso a água viverem na China ou na Índia. E muitos países africanos não conseguiram bater a meta nem estão no caminho para atingí-la até 2015. Mais de 40% das pessoas que não encontram água segura vivem na África subsaariana.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou, em nota distribuída pela ONU, que este é um dos primeiros ODM a serem atingidos. Ele foi anunciado depois de o Banco Mundial ter anunciado, no mês passado, que a pobreza extrema fora reduzida pela metade.

– Os esforços bem sucedidos para fornecer um maior acesso à água potável são um testemunho de todos os que veem os ODM não como um sonho, mas como uma ferramenta vital para melhorar as vidas de milhões das pessoas mais pobres – disse Ban Ki-moon.

Já Barbara Frost, presidente da ONG WaterAid, ressaltou a importância de melhorar o saneamento básico:

– As diarreias provocadas por saneamento inadequado são as maiores assassinas de crianças na África.

Conheça os 7 ODMs

Ao todo, são sete metas estipuladas pela ONU. Estes são compromissos assumidos por escrito por todos os 191 estados-membros.

1) Erradicar a extrema pobreza e a fome

O objetivo global de até 21% de pobreza já foi ultrapassado.

2) Atingir o ensino básico universal

Em mais de 60 países em desenvolvimento, mais de 90% das crianças estão matriculadas em escolas. O número de crianças fora da escola caiu de 115 milhões em 2001 para 72 milhões em 2007, mesmo com o crescimento da população mundial. Nos países da Africa Subsaariana 41 milhões de crianças ainda estão fora da escola.

3) Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

Até 2005, cerca de dois terços dos países em desenvolvimento tinham alcançado a paridade de gênero no ensino básico. A expectativa é de que esse objetivo seja alcançado globalmente em 2015 tanto para o ensino básico quanto para o fundamental, diz a ONU.

4) Reduzir a mortalidade na infância

A ONU reconhece a dificuldade de bater estas metas. A taxa global de mortalidade de bebês e crianças até cinco anos caiu de 101 óbitos por mil nascimentos em 1990 para 74 em 2007, ainda longe do objetivo.

5) Melhorar a saúde materna

Em 2005, mais de meio milhão de mulheres morreram durante a gravidez, parto ou nas seis primeiras semanas após o nascimento do filho.

6) Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças

O número de novas infecções vem diminuindo, mas apenas 28% do número estimado de pessoas que necessitam de tratamento o recebem. A malária mata um milhão de pessoas por ano, principalmente na África. Dois milhões morrem de tuberculose por ano em todo o mundo. Os dados são da ONU

7) Garantir a sustentabilidade ambiental

O acesso à água potável e saneamento estão neste item. A sustentabilidade é uma questão-chave para o mundo e será discutida durante a Rio+20.

8) Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento

Descontado o perdão das dívidas, a assistência estrangeira ao desenvolvimento cresceu 6,8% em termos reais. No comércio global, a crise financeira tem atrapalhado parcerias.

Fonte: O Globo

Funcionário da Cedae retira uma amostra da estação de tratamento do Guandu, que abastece a Região Metropolitana do Rio (Foto: Sergio Borges/13-11-2001)